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Não me motivam na minha empresa

Como vou conseguir manter os meus colaboradores motivados?

Se fosse possível através de aumentos salariais, de comissões, bónus e outros inumeráveis “fringe benefits” assegurar que a motivação de cada trabalhador, colaborador, parceiro, operário, … se manifestasse de tal modo que o resultado em produtividade superasse os investimentos realizados, quem no seu perfeito juízo não estaria disponível para o fazer?

Não estou a pensar nos casos de excepção, que também os há, exemplos como alguns pequenos departamentos em médias e grandes empresas, ou em micro-empresas com um número reduzido de colaboradores que “nunca trabalham” fazendo com prazer aquilo que gostam e, nestes casos, tanto dá se estão entre quatro paredes no que se convencionou chamar escritório, num espaço de Co working, em casa ou na mesa de um café, pois trabalhar não é trabalho – é algo útil com que se ocupam com prazer.

A pergunta que nos é muitas vezes colocada é:

– O que devo fazer para motivar os meus colaboradores?

Esta interrogação revela desde logo que o ponto de partida é o de que “os meus colaboradores não estão motivados”. Assim, ao reformular a questão, o que querem saber realmente é:

– O que devo fazer para motivar quem não está motivado?

Serei capaz de motivar alguém que não está motivado? Alguém que não encontra em si mesmo a motivação necessária para a realização com dedicação, rigor e empenho, das tarefas que lhe estão atribuídas?

Ou será que tudo isto não passa de um mito e realmente a decisão de estar ou não estar motivado, alusivo ao que quer que seja na vida, no trabalho principalmente, cabe exclusivamente a cada um de nós?

  • Como é que eu sou capaz de motivar alguém que acha que não lhe pagam para produzir tanto quanto lhe pedem?
  • Como é que sou capaz de motivar alguém que diz estar desmotivado porque o salário já não é revisto há muito tempo, não reconhecendo o esforço financeiro que a empresa está a realizar para manter o seu posto posto de trabalho?
  • Como agir para motivar alguém a não desistir até concretizar os objectivos propostos?
  • Como passar a mensagem de que concretizar está ao seu alcance? Com muito trabalho, perseverança, melhoria contínua…?
  • Como posso motivar alguém a testar outras vias, outros caminhos, a esquecer-se do que era ou do que é e a concentrar-se no que quer ser, para onde quer ir? Um novo “lugar” totalmente diferente e provavelmente melhor que o anterior, seguramente diferente do que era antes.
  • Como vou motivar alguém que acredita que é apenas um número? Que está convencido que os que estão ao seu redor, companheiros de profissão, não se esforçam e não querem fazer mais porque a empresa não merece e por isso ele não faz também?
  • Como motivo alguém que acha que não é reconhecido e que são muito mais exigentes com ele do que com os outros, sendo que na sua percepção nada do que faz merece reconhecimento?

… E assim por diante.

O que pode motivar-me?

– O salário e as condições que me oferecem?

– O trabalho que executo?

– O sucesso?

– O status?

– A possibilidade de promoção?

– O valor que ajudo a criar?

– O ser respeitado e reconhecido?

– Verificar que o que faço é valorizado?

– Ser desafiado para ultrapassar os meus limites?

– Saber que contribuo positivamente para estimular os que estão à minha volta?

– Contribuir para a criação de riqueza, quer directamente para a empresa que represento quer indirectamente para o meu país?

– Sentir que as minhas sugestões são valorizadas?

– Participar nas decisões estratégicas da empresa?

Motivar, só com exigência, rigor, seriedade, sentido de justiça e reconhecimento certo na hora certa. Motivar, é disciplina, objectivos claros, focus na concretização dos mesmos, concretização e realização. O acto de motivar está associado a estímulo, a interesse, a provocação, a desafio. E apenas aqueles que se sentem bem nesta “praia” serão receptivos a esta aproximação, clara, inequívoca, transparente.

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Se o que me motiva se une ao que são os princípios, valores e filosofia daqueles com quem partilho o meu dia a dia laboral; se me sinto constantemente desafiado e isso representa um estímulo para mim; se além do mais posso participar no dia a dia da empresa e sou respeitado; se existe elevado nível de exigência mas também reconhecimento; se a disciplina cria um ambiente de trabalho saudável e desafiante; então o primeiro passo para a minha motivação está dado. Porque, ou não estou de acordo e desisto, ou me entrego de corpo e alma ao repto.

Ultrapassar as dificuldades que hoje afectam os países e as empresas, enfrentar com êxito o desafio do crescimento, só mesmo com o todo motivado em torno da concretização dos objectivos comuns, sabendo que cada parte desse todo, cada uno é responsável pelas tarefas que executa, estando consciente também que o somatório do esforço empreendedor e empenhado de todos será superior à soma das partes.

As mudanças ocorridas nos últimos anos, quer nos “clientes internos” quer nos “clientes externos” são irreversíveis e estas mudanças necessitam sem dúvida de uma nova liderança capaz de envolver todos os colaboradores mantendo-os totalmente focalizados no que podem fazer para melhorar e não na procura de desculpas justificativas da “não acção” ou dos fracos resultados conseguidos. Precisamos todos de equipas que estão motivadas, conscientes de que os desafios do futuro só se ganham com total empenho no presente.

Mas precisamos também de uma legislação laboral mais amiga do empreendedorismo que contribua para ajudar, com agilidade e rapidez, a remover das equipas aqueles que “matam o tempo” e nada produzem. Talvez a mudança de mentalidades, que vai ter mesmo de materializar-se, de modo a garantir a sobrevivência num “novo mundo e numa nova realidade“, ocorresse muito mais rapidamente.

Pela minha parte, e porque eu posso decidir, se perder o poder da motivação que acorda comigo todas as manhãs e me persegue como uma sombra para onde produzo e faço as coisas acontecerem, então é altura de mudar! Então é o momento de iniciar o processo de mudança para onde me sinta bem porque não há nada menos motivador do que demitir-me internamente e obrigar-me a fazer o que não gosto.

Se não me sinto realizado com o que faço, porque razão continuo a deslocar-me diariamente para onde não me sinto bem? Por isso a decisão é minha e não há lei nenhuma que me obrigue a continuar a sentir-me desmotivado onde estou e com quem passo a maior parte dos dias da minha vida. É melhor iniciar o processo quanto antes porque o tempo passa depressa demais e amanhã pode ser demasiado tarde.

Do lado dos responsáveis, líderes e managers, empresários de micro, pequenas e médias empresas que gostam do que fazem e precisam de Pesssoas que vivam intensamente como eles os projectos a que se dedicam, às vezes é preciso ajudar os que não vivem felizes trabalhando nas suas equipas, indicando-lhes a porta de saída, exactamente a mesma por onde entraram: “Se não te sentes bem a fazer o que fazes nesta equipa, procura uma alternativa. Estou disponível para ajudar-te. Não me parece que seja o trabalho que gostes de fazer. Já testámos várias soluções e como nada resultou não me parece que este seja o local onde te realizarás profissionalmente. Preciso de Pessoas comigo que gostem do que fazem, que sintam prazer no que fazem e para quem não há desafio que não os motive“.

Duro? Muitas vezes é necessário dar um “empurrão” porque o medo de mudança pode paralizar as Pessoas e mantê-las infelizes para toda a vida se não obtiverem ajuda.

Por José Ferreira Duarte

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