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Dores de crescimento

É curioso como as Dores de Crescimento são uma designação com mais de 170 anos, mantendo-se quer essa designação quer o desconhecimento quanto às verdadeiras causas das mesmas, havendo porém várias teorias sobre a sua origem. As dores de crescimento são temporárias e desaparecem normalmente em menos de dois anos, dizem os especialistas.

E nas empresas? Será que estas também podem sentir dores de crescimento? Claro que sim.

Principalmente quando, quer a equipa de gestão, quer os colaboradores se deixam arrastar para  um estádio de deslumbramento. Surge a estagnação e perdem o sentido de urgência.

Na verdade deixaram-se ultrapassar pela concorrência, pelos factores externos que condicionam o mercado, pelas alterações operadas no comportamento dos compradores… continuaram  a actuar como sempre, usando os mesmos métodos, processos e estratégias que os ajudaram na concretização de êxitos passados…  Mas que, infelizmente, deixaram de estar adequados aos desafios do presente.

Será que uma equipa de futebol quando sobe da terceira divisão para a segunda tem pela frente os mesmos desafios de gestão que anteriormente? E se subir à primeira divisão e quiser competir com os melhores? As competências e as habilidades da(s)  equipa(s),  a estratégia, os objectivos… Serão os mesmos?

Quando, após um periodo de crescimento e progresso, a direcção e seus representantes não imprimem um sentido de urgência ao dia a dia da organização implementando uma cultura de melhoria continua, garante permanente de que a estratégia é evolutiva e não estática e está direccionada para responder às necessidades evolutivas dos seus Clientes e prospectos,  quando chefias intermédias se “incham” com os êxitos passados e se esquecem que os Clientes evoluíram e o contexto em que se fazem negócios “hoje” é perfeitamente distinto do de “ontem”, quer no que respeita aos Clientes internos, quer no que respeita aos Clientes externos, e,  quando as equipas apenas procuram razões, todas externas, pois claro, para justificar os seus desempenhos medíocres… o diagnóstico acertado é o de que a empresa está com dores agudas de crescimento! Se não corrigir rapidamente a situação essas dores agudas podem passar a crónicas destruindo tudo aquilo que com tanto espirito de sacrifício, empenho e dedicação se conseguiu construir. É preciso acordar para que não seja tarde demais.

Deixar uma empresa deleitar-se à sombra de êxitos passados mesmo quando apenas por períodos  não muito dilatados, terá efeitos negativos no desempenho e na capacidade de competir da organização, que se prolongarão, arriscar-me-ia a dizer, pelo menos por duas a três vezes o tempo de “hibernação”. Todo o conhecimento adquirido ao longo do tempo deve estar ao serviço do progresso e da evolução. Conhecimento adquirido sem acção leva consequentemente à estagnação.

Uma organização deve manter-se permanentemente IDANinquieta“, “dinâmica“, “atenta“, “nervosa“, (palavra de origem grega que significa “que trabalha muito”, isto é, não se pode deixar acomodar:

–  Deve  manter um investimento continuo na investigação e desenvolvimento, pois é preciso manter um  “pipeline” de novos produtos, sistemas e soluções, ou de melhorar continuamente as características dos produtos existentes e soluções existentes;

–  Deve apostar num marketing atento às necessidades dos seus clientes e à evolução do mercado em todas as suas vertentes e uma equipa comercial que se destaca pelo enfoque nas necessidades dos Clientes e no que eles vão ganhar com os produtos ou serviços que lhe podem ser proporcionados, ao contrário de tentar a venda a qualquer preço;

– Deve insistir no aperfeiçoamento permanente dos seus processos, e, extremamente importante,

–  Deve fomentar o desenvolvimento das competências e habilidades das suas pessoas, em todos os aspectos, introduzindo estrategicamente “sangue novo” na organização, talentos capazes de confrontar o “status quo” e até o “modus operandi” com uma postura responsável mas também com a capacidade que as crianças têm de saber perguntar porquê.

Os que se deixam acomodar e resistem a esta evolução e desenvolvimento permanente dentro de uma organização devem partir, ou tornar-se-ão num passivo que é necessário eliminar.

Ainda que todas as organizações num momento ou noutro possam passar diversas vezes por períodos com dores de crescimento, o mais importante é saber que elas podem existir; só com essa consciência é possível  mobilizar toda a organização para assegurar que os períodos de reacção são tão curtos quanto possível.

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2 thoughts on “Dores de crescimento

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